quarta-feira, março 16, 2016

Comer demais... nunca mais?

Quadrúpede, escultura do artista plástico Florian Raiss.

Recentemente me deparei com um site novo sobre TCAP (pra quem não sabe, transtorno compulsivo alimentar periódico), que apresenta um método bastante simples para se curar do problema. Apesar de ainda estar em construção, o site revisa vários textos sobre o assunto e sugere dois métodos: 1) comer de forma estruturada (“structured eating”) e 2) AVRT (“addictive voice recovery technique” ou “técnica de recuperação baseada na voz do vício”).

No primeiro caso, cuja descrição pode ser encontrada em outros sites e em formatos variados, se advoga comer em horários fixos, 3-6 vezes por dia. Especificamente para quem tem TCAP, no site que mencionei a autora indica três refeições tradicionais (café, almoço e jantar), sem lanches no intervalo ou, no máximo, uma fruta. O motivo de ser apenas três vezes seria para ajudar o portador de TCAP, que normalmente tem dificuldade em identificar sinais para parar de comer. Ademais, a quantidade reduzida de refeições diminui a necessidade de tomar decisões quanto ao que comer em si, o que também ajudaria (o contrário – o excesso de decisões – traria uma espécie de “pane” ao cérebro, fazendo a pessoa comer mais).

Neste modelo não há restrições do que comer, contanto que uma boa parte da refeição seja composta por “comida de verdade”. Segundo ele, nosso cérebro precisa de dois tipos de sinalização para parar de comer: a sensação de estar cheio e termos preenchido verdadeiramente as necessidades nutricionais. Obviamente, quando comemos apenas besteira, o cérebro recebe apenas o primeiro tipo de sinalização.

Por outro lado, a autora do site ressalta que tentar “purificar” demais a dieta, sem comer nenhuma besteira pode ter efeito contrário, e podemos acabar depois nos esbaldando na tal comida proibida (acho que todos que tem TCAP estão familiarizados com esta dinâmica!). Em suma, comer três vezes ao dia, em refeições compostas primariamente por comida saudável, mas (se desejar), também com algumas besteirinhas e até sobremesa. Ela ressalta, ainda, que a tendência é o peso estabilizar e depois diminuir, mesmo sem dieta. O processo é gradual, porém constante. De fato, ela dá bastante destaque à questão da dieta ser muito ruim para quem tem TCAP (ou para qualquer pessoa), pois acaba reforçando esse ciclo de comer muito/comer pouquíssimo.

Assim, ela recomenda também o método de alimentação estruturada chamada de “No S diet”, do inglês “no sweets, snacks or seconds except (sometimes) on special days that start with S”. Ou seja, nada de doces, lanches ou repetições (da refeição), exceto (às vezes) em dias especiais que começam com S (sábado e domingo). Por não almejar a perfeição, apesar de mais lento esse tipo de “dieta” seria bem mais eficaz e duradoura.
É engraçado, pois recentemente (e intuitivamente) eu estava tentando um tipo de alimentação estruturada. Eu comia cinco vezes ao dia (três refeições e dois lanches, com direito a sobremesa depois do almoço) pra tentar controlar os episódios de binging. Porém, pra tentar facilitar a criação desse hábito, eu não estava prestando tanta atenção ao conteúdo dessas refeições. Ao incorporar aquela primeira dica (tão óbvia por sinal!!) de comer principalmente comida de verdade, me senti bem mais satisfeita e consegui diminuir os ataques compulsivos.
Quanto ao AVRT, estou iniciando agora e ainda não consegui efetivar de todo. Na verdade a autora do site recomenda o livro Brain over binge, de Kathryn Hansen, que usou o AVRT com um dos métodos para sua cura. O livro é escrito por uma ex-bulímica e é bastante impressionante. Ela chegava a comer 30.000 calorias em um único episódio de binging e depois chegava a passar sete horas na academia para compensar. Eventualmente começou a vomitar como forma de compensação. Depois de ler seu relato senti que meu problema era pífio perante o dela!
O site oficial do AVRT pode ser encontrado aqui. Foi criado para viciados em álcool e outras drogas, mas pode ser adaptado para outros vícios. O método é bastante simples e promete uma cura rápida, de uma vez só, diferente dos métodos de 12 passos, por exemplo. Na verdade o autor critica os métodos de 12 passos por dizer que eles deixam a pessoa em um processo de cura sem fim, no que ele chama de “recuperismo” (“recoveryism), nunca a libertando de fato. Baseia-se no conhecimento de que nosso cérebro medial, região mais “primitiva” do nosso cérebro, faz de tudo para nos manter vivos e, por algum motivo, depois que o ser humano saiu da selva passou também a regular os vícios. Ou seja, nas pessoas viciadas em algo, essa parte do cérebro compreende que o vício é essencial à sua sobrevivência, dificultando a cura.
A compreensão desse fato seria, então, o primeiro passo para a cura. O autor do método AVRT chama essa parte do cérebro de besta-fera ou quadrúpede. Então, por exemplo, quando eu quiser comer uma barra inteira de chocolate, devo dizer “meu quadrúpede quer chocolate”. Reconhecer que apenas certa parte do meu cérebro que quer comer excessivamente e não, eu de fato, ajudaria a conter o problema.
Tentei e funcionou por alguns dias. Porém, reconheço que não segui todos os passos recomendados (depois traduzo aqui). Fiquei pensando que seria legal adicionar um agradecimento ao invés de apenas reconhecer essa minha outra parte como idiota. Afinal, de certa forma é um instinto de sobrevivência. Alguns anos atrás já tentei algo parecido (por um período curto) e já ouvi relatos favoráveis. Por exemplo, uma pessoa que descobre que come compulsivamente porque foi abusada  infância e que inconscientemente usava a comida para deixar de ser atraente e não ser abusada novamente. Então toda vez que sentia necessidade de comer demais, a pessoa agradecia a intenção do seu corpo de protegê-la, mas ao mesmo tempo afirmava que agora era adulta e sabia se cuidar.
O site afirma que o método é certeiro, porém leva um tempo para se adaptar a ele. Afinal, segundo a autora, o tal quadrúpede é inteligente e, ao mesmo tempo em que ficará apavorado em saber que não mais o obedeceremos, tentará de tudo para nos enganar para que continuemos seguindo suas orientações (e ele nos conhece bem!).

sexta-feira, maio 01, 2015

Um curso em emagrecimento, Capítulo 3 - Construa seu altar

Imagem retirada do site Canto do Feng Shui.

     Neste capítulo* a autora ressalta que, assim como nos tradicionais programas de 12 passos (como o AA – Alcoólicos Anônimos), precisamos entregar o nosso problema a algo maior. A ideia central é que não conseguiremos nos curar sozinhos. E não importa como chamemos esse poder maior na nossa vida: Deus, Universo, Grande Espírito, etc. De fato, segundo a autora, essa jornada em busca de um melhor relacionamento com nosso alimento é, sobretudo, um processo de cura quanto à nossa conexão com o Criador, pois apenas assim conseguiremos um milagre de cura emocional e física. Ao entregarmos nosso problema a um poder maior não mais precisaremos nos tornar grandes (engordando) para enfrentar as fontes emocionais de nossa compulsão:

"Uma criança pequena vivendo num ambiente normal e saudável sente-se livre e relaxada por que compreende que há um adulto cuidando de suas necessidades. Isso deveria ser um modelo para nosso desenvolvimento saudável com o divino.Você deveria confiar no universo como uma criança confia em um adulto. Porém, se na infância você sente que as figuras de autoridade adulta na sua vida não merecem confiança, você terá maior dificuldade em fazer a transição para uma dependência saudável em Deus. Você pensa que está sozinho(a) e que precisa cuidar de tudo por conta própria. Não é a toa que você se sente pesado(a)..."

A autora fala, ainda, do alívio imbuído neste processo, ao finalmente podermos admitir que não somos capazes de resolver o problema sem ajuda divina. Eis outro trecho interessante deste capítulo:

Cada momento de ingestão inconsciente de alimentos é um momento quando você está como fome de um amor-próprio saudável, e luta para encontra-lo em outro lugar. Assim como uma criança no ventre recebe sua nutrição diretamente de sua mãe, nós também devemos receber nossa verdadeira nutrição diretamente do divino. Ao reestabelecer seu relacionamento com a fonte divina, você mais uma vez receberá nutrição divina. À medida que sua conexão com o amor é reparada, você se libertará de sua compulsão e poderá buscar amor de uma fonte que remove a autodestruição” (pg. 59, versão Kindle).

Outro ponto interessante neste capítulo é a de que a cozinha é o altar que usamos para venerar o medo. Assim, um dos exercícios propostos baseia-se na ideia de criar um altar para o amor, para nos lembrar de que este, sim, é a força central de nossa vida.

Por fim, o capítulo também propõe que o leitor reflita sobre sua condição de comedor compulsivo vs. viciado em comida. Como ressalta a autora, todos os viciados em comida são comedores compulsivos, mas nem sempre o contrário é verdadeiro. E, obviamente, o vício está ligado a um ou alguns alimentos específicos, como açúcar ou trigo.

Como nos programas de 12 passos, ela sugere que aqui é chave admitir o vício, bem como se juntar a outras pessoas para trilhar o caminho da cura (como, por exemplo, um grupo dos Comedores Compulsivos Anônimos na sua cidade). Segue, abaixo, um resumo dos exercícios propostos neste capítulo.

Exercício 1 – Procure, no seu lar, um local para montar seu altar, um local que apoie e celebre sua confiança de que um poder maior irá fazer um milagre acontecer na sua vida, o milagre da cura. Junto a seu altar deve haver uma cadeira para ler textos que sirvam de inspiração ou para momentos de meditação e oração. O altar também deve ter espaço para colocar objetos que poderão lhe ajudar e fortalecer sua fé, como fotos, livros especiais, um diário, flores, objetos que lhes sejam sagrados, etc.

Exercício 2 – Comece a desmontar o seu altar do medo indo até a cozinha e pedindo em oração, ou da forma que achar adequada, que este local seja um espaço apenas de amor. Remova todos os alimentos que incitem episódios de compulsão e substitua tais alimentos nocivos por alimentos saudáveis e naturais. Em suma: faça da sua cozinha um lugar verdadeiramente sagrado. Ajuda também colocar algo (um quadro, poema, etc.) em lugar visível para se lembrar de tudo isso toda vez que entrar na cozinha.

Exercício 3 – Leia os 12 passos dos Comedores Compulsivos Anônimos**


  1. Admitimos que éramos impotentes perante a comida – que tínhamos perdido o domínio de nossas vidas;
  2. Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos a sanidade;
  3. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos;
  4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos;
  5. Admitimos, perante a Deus, perante a nós mesmos e perante outro ser humano a exata natureza de nossas falhas;
  6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter;
  7. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse das nossas imperfeições;
  8. Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
  9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudica-las ou a outrem;
  10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e quando estávamos errados nós o admitimos prontamente;
  11. Procuramos, por meio da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade e relação a nós e forças para realizar essa vontade;
  12. Tendo experimentado um despertar espiritual graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos comedores compulsivos e por em prática estes princípios em todas as nossas atividades.


Exercício 4 – Cada vez que um problema surgir, antes de descontar na comida, feche os olhos e se imagine que cada célula do seu corpo está imersa em uma luz dourada. Visualize, também, anjos e/ou outros seres divinos lhe rodeando. Entregue seu(s) problema(s) a Deus, liberando-o(s) a cada expiração;

Exercício 5 – Cada vez que entrar na cozinha, imagine que Deus está entrando com você. Entregue cada mordida a um poder maior, mesmo quando você comer compulsivamente.

* Este texto refere-se ao livro livro A Course In Weight Loss: 21 Spiritual Lessons for Surrendering Your Weight Forever (algo como “Um curso em emagrecimento: 21 lições espirituais para eliminar seu peso para sempre”, publicado em 2012 mas ainda sem tradução em português), de Marianne Williamson.
** Retirado do site do Comedores Compulsivos Anônimos no Brasil - 

domingo, abril 26, 2015

Um curso em emagrecimento, Capítulo 2 - "Eu Magro(a), conheça Eu Não-Magro(a)



Nesta postagem continuamos com o resumo do livro A Course In Weight Loss: 21 Spiritual Lessons for Surrendering Your Weight Forever, de Marianne Williamson (algo como “Um curso em emagrecimento: 21 lições espirituais para eliminar seu peso para sempre”, publicado em 2012 mas ainda sem tradução em português).

Neste primeiro capítulo, intitulado "Eu Magro(a), conheça Eu Não-Magro(a)", a autora apresenta a ideia do seu “eu magro” e “eu não-magro” ou “eu-que-come-demais” como partes do seu ser multidimensional. Ou seja, ambos precisam ser amados e aceitos. A ideia é que essa sua parte indesejada não seja mais rechaçada, mas sim compreendida e abraçada. Afinal, como propõe a autora, quando seu “eu-não-magro” engorda é apenas uma forma de chamar a atenção e ser ouvida. Em suma, a proposta central do texto é fazer com que você consiga amar o seu “eu-não-magro”.

Exercício – iniciar um diálogo entre seu “eu-magro” e “eu-não-magro” por meio de cartas. Comece escrevendo uma carta sincera para seu “eu-não-magro” e depois faça também a resposta. Continue o diálogo sempre que puder, em especial quando sentir vontade de comer excessivamente (estes momentos são excelentes oportunidades de ouvir o que seu “eu-não-magro” realmente quer).

Imagem retirada de http://nadaperfeita.com.br/gordofobia-vale-a-pena-ser-magro/


Um Curso em Emagrecimento, Capítulo 1 - Derrube a parede em torno de si



    Nesta postagem iniciamos o resumo do livro A Course In Weight Loss: 21 Spiritual Lessons for Surrendering Your Weight Forever, de Marianne Williamson (algo como “Um curso em emagrecimento: 21 lições espirituais para eliminar seu peso para sempre”, publicado em 2012 mas ainda sem tradução em português).

     Neste primeiro capítulo, intitulado "Derrube a parede em torno de si", a autora sugere que o excesso de peso é uma barreira (para se proteger ou se afastar dos outros, por exemplo), cujos “tijolos” podem ser feitos de culpa, raiva, falta de perdão, julgamento, desdém, responsabilidades demais, pressão, fardos, injustiça, proteção, separação, desonestidade, arrogância, inferioridade, medo, rancor, ciúme, cansaço, arrogância, orgulho, estresse, vergonha, dor, preguiça, ambição, egoísmo, etc. (passados ou presentes). Esses sentimentos, literalmente, não foram “digeridos” de forma apropriada, e por isso ficaram presos e foram projetados da sua mente para o seu corpo.

      Ela propõe, ainda, dois exercícios principais:

      Exercício 1 – escreva no seu diário, sem pressa, todas as palavras que representem tijolos na parede que você construiu em torno de si mesmo e o significado de cada uma delas para você com o maior detalhamento possível (ver lista de sugestões acima). Seja paciente consigo mesmo. Ao final do texto sobre cada palavra, escreva “Querido Deus (ou como queira chamar a força maior na qual acredita), entrego meu/minha [colocar sentimento aqui] para Ti. Por favor leve embora de mim. Amém”.

     Exercício 2 – o outro exercício é uma meditação (que no livro também acompanha uma oração), onde deve se visualizar cada tijolo sendo dissolvido por Deus.

Um curso em emagrecimento - listagem das 21 lições



Antes de começar a postar os resumos dos capítulos do livro A Course In Weight Loss: 21 Spiritual Lessons for Surrendering Your Weight Forever (algo como “Um curso em emagrecimento: 21 lições espirituais para eliminar seu peso para sempre”, ainda sem tradução em português), listarei as 21 lições (cada qual aparece no livro como um capítulo).

1. Derrube a parede em torno de si
2. Eu Magro(a), conheça Eu-Não Magro(a)
3. Construa seu altar
4. Invoque seu Eu Verdadeiro
5. Comece um caso amoroso com a comida
6. Construa um relacionamento com a boa comida
7. Ame seu corpo
8. Se entregue ao divino
9. Habite o seu corpo
10. Consagre o seu corpo
11. Ritualize a mudança que está acontecendo em você
12. Se comprometa consigo mesmo(a)
13. Sinta seus sentimentos
14. Permita a dor
15. Saia da zona da solidão
16. Disciplina e discipulado
17. Perdoe a si mesmo(a) e aos outros
18. Honre o processo
19. Dê a luz a quem você realmente é
20. Cirurgia da alma
21. O corpo brilhante


Dos 83 aos 99 kg: engordando conscientemente e agora o caminho de volta

No início de 2014 eu estava pesando 83kg. Um ano depois estava com 99kg – meu maior peso não grávida em toda a minha vida (e quase o meu maior peso grávida!), peso este que permanece até hoje.

Comecei o ano de 2014 querendo retomar hábitos alimentares mais saudáveis, além de incorporar mais exercícios na minha rotina. No segundo semestre fiz alguns esforços neste sentido (como me matricular na academia, comprar alguns equipamentos, etc.), e até fiz uma aposta com meu marido para ver quem perdia mais peso até o fim do ano, mas o efeito (ao menos em termos de perder peso) foi o oposto e engordei bastante.

À primeira vista esta história pode parecer um enorme fracasso, mas não o considero assim. Apesar de, há vários anos, vir me trabalhando para me “curar” de uma compulsão alimentar, mais especificamente a TCAP (transtorno compulsivo alimentar periódico), esse ano eu me permiti me aprofundar ainda mais nessa jornada e realmente aceitar e observar o problema, sem julgamentos. Assim, foi natural que houvesse um aumento de peso e tentei passar por este processo com o mínimo de resistência possível.

Agora estou tentado fazer, de forma também suave, o caminho de volta. Não por meio de dietas ou programas de exercício, mas num profundo processo de autoconhecimento e auto aceitação que (acredito) naturalmente fará com que os quilos a mais sejam eliminados de uma vez por todas.

Parte do processo está sendo ler o livro A Course in Weight Loss: 21 Spiritual Lessons for Surrendering Your Weight Forever (algo como “Um curso em emagrecimento: 21 lições espirituais para eliminar seu peso para sempre”, ainda sem tradução em português), de Marianne Williamson. Confesso que comecei sem tantas expectativas para o livro, pois muito do que a autora fala não é novidade para mim. Porém, no seu conjunto o livro é bem valioso para quem está tentando curar sua relação com comida e vêm me ajudando.

Por isso resolvi ir colocando uns resumos dos capítulos aqui para tentar auxiliar outras pessoas. No final farei uma resenha geral do livro. Espero que ajude quem não tem familiaridade com a língua inglesa. Para quem consegue ler tranquilamente em inglês vale a pena comprar o livro, bem como assistir a uns vídeos onde a própria autora resume alguns dos capítulos no site do livro.

terça-feira, outubro 07, 2014

Nova avaliação das metas: até onde vai o amor próprio?

Dando continuidade ao meu plano de diminuir o sedentarismo, melhorar a alimentação e perder peso, eis o que houve nos meses de agosto e setembro.

Em relação aos exercícios, consegui melhorar a frequência em agosto, me exercitando 40 min ou mais em 13 dias do mês (dos quais seis dias foram na academia). Em setembro, porém, devido a uma mudança nos meus horários e a um aumento no volume de trabalho, não consegui me exercitar nem um único dia (pelo menos por períodos de tempo significativos)! Por outro lado, no final do mesmo mês adquiri uma mini-cama elástica para tentar usar, mesmo que por períodos curtos, ao longo do dia quando estou em casa. Até o momento usei pouco, mas as crianças adoraram! :)

Quanto à aposta que fiz com meu marido (de quem perderia mais peso a cada mês), perdi feio nos dois meses seguidos, tendo engordado em ambos: arredondando, passei para 90 kg no final de agosto e um pico de 92 kg no final de setembro (meu maior peso não estando grávida!). Já meu marido, felizmente, vem perdendo cerca de 1,5kg a cada mês. Uma pessoa próxima comentou que, eu sendo tão não-competitiva como sou, deveria abandonar a aposta visto que estou fazendo por onde meu marido ganhar!!!!

Tendo abordado minhas questões alimentares sob vários ângulos ao longo dos anos e tentado "resolver" esse "problema" de tudo que é jeito, estou chegando ao que, espero, é a reta final: tentar atingir um nível profundo de auto-aceitação e amor próprio independente do resto. Essa tentativa não é nova, porém (espero) que agora esteja sendo feita de forma mais madura e verdadeira.

Cuidar da saúde do corpo e cultivar uma boa aparência (ou seja, ter um certo nível de vaidade) é visto como um reflexo de boa auto-estima. Eu me pergunto, porém, se a verdadeira auto-estima não estaria em se amar independente de aparência ou estado de saúde física.

Vejam porque estou fazendo essa reflexão. Tenho pensado muito sobre o porquê de estar engordando tanto esse ano, o porquê de estar em um dos piores picos da compulsão alimentar. Cheguei a seguinte conclusão: estou num momento complicado e, apesar de saber que é um momento passageiro, para conseguir atravessá-lo tenho utilizado da comida como "muleta" ou "anestésico". Não há como mudar de imediato a situação, nem tampouco consigo visualizar outra forma de superá-la sem utilizar a comida para ajudar a manter a "sanidade". Por isso, ao invés de travar o embate de sempre, venho tentando aceitar a compulsão e até agradecer a comida pela ajuda que tem me dado não só agora mas em outros momentos difíceis ao longo da minha vida. Espero atingir um nível de auto-aceitação e auto-perdão profundos, não apenas ligados à motivação implícita de me "curar" da compulsão alimentar.

Ou seja, eu não quero me amar e me perdoar apenas SE eu conseguir mudar minha relação com a comida, emagrecer, me exercitar, etc. Eu quero me amar e perdoar independente de qualquer coisa, até mesmo do que eu possa estar fazendo de "errado" comigo mesma. A auto-aceitação é o primeiro passo da cura física, mas apenas se essa cura não for o fim último do processo como um todo (a cura física seria apenas uma consequência, de muitas).

Esse processo, porém, traz uma série de questionamentos que podem ser assustadores. Afinal, ao tentar aceitar minha "necessidade" temporária pelo excesso de comida, surgem indagações como:

- Será que consigo amar a mim mesma e ao meu corpo cada vez mais gordo e deformado?
- Será que consigo amar a mim mesma e ao meu corpo em meio a comentários cada vez mais frequentes sobre o meu aumento de peso, minha suposta baixa auto-estima e desleixo?
- Será que consigo amar a mim mesma e ao meu corpo vendo, no espelho, minha crescente semelhança física com minha mãe?
- Será que meu marido vai deixar de me desejar ou mesmo de me amar em meio a tudo isso?
- Será que afetarei, negativamente, o desenvolvimento dos meus filhos com meu "mau exemplo"?

E assim por diante...

Em última instância, será que conseguirei mesmo atravessar tudo isso e atingir um estado verdadeiro de amor próprio?

quinta-feira, julho 31, 2014

Metas - avaliação do mês de julho

Na postagem anterior eu falei de algumas metas minhas de eliminação de peso e menor nível de sedentarismo, etc. O que aconteceu, na prática, foi o seguinte. Consegui, na primeira metade do mês de julho, caminhar e/ou correr durante uma hora, 2-3 vezes por semana, sempre a noite depois das crianças dormirem. Na verdade foi um total de cinco vezes mais uma ida à academia (me matriculei na academia e em um mês só consegui ir um dia!). Na segunda metade do mês não consegui fazer nada que ultrapassasse os 20 min. Na alimentação não mudou muita coisa. Busquei, nos exercícios, não me preocupar/me julgar tanto quanto à regularidade mas sim aproveitar cada vez que eu conseguia realmente sair e me exercitar. No geral, estou tentando focar no que consigo de somar de bom e saudável para a minha vida neste momento e, por enquanto, não dá tanto valor ao que julgo estar errado.

A partir de agora, além de tentar regularizar os exercícios, estou testando umas ferramentas de criação de menus online. Gostei especialmente do "Eat this much" (que permite opções vegetarianas e veganas, por exemplo, e também nos deixa configurar o tempo disponível para preparar cada refeição). Na parte gratuita dá para criar menus diários personalizados. Dando o upgrade, por uma pequena taxa mensal você recebe menus semanais com as receitas, listas de compras e outras vantagens. Estou pensando em tentar esta opção. O site do Truestar também é interessante, pois permite incluir metas de eliminação de peso, cria programas de exercício e menus com receitas completas, tem dicas de motivação, entre outras ferramentas, tudo gratuito. Porém, nas receitas vem sempre inserido algum produto deles, como proteínas em pó ou coisas do tipo, e essa parte não gostei muito. Acho que vou usar uma combinação dos dois sites.

Na verdade, minha motivação maior neste momento quanto ao uso desses sites de menu é que venho sendo meio relapsa com a alimentação das crianças, e pela "praticidade" (junto ao fato de eu detestar cozinhar) tenho repetido muitas refeições, inclusive algumas não tão saudáveis quanto eu gostaria. Felizmente meus filhos comem de tudo, de frutas e verduras a vitaminas verdes, mas queria deixar pronto um menu mensal para poder me policiar quanto ao preparo das refeições propriamente ditas.

Ademais, para animar as coisas, meu marido sugeriu iniciarmos uma espécie de competição para ver quem elimina mais peso. Vamos nos pesar no último dia de cada mês. Fizemos a primeira pesagem hoje: eu continuo com os mesmos 89 kg e ele está com 109 kg.

Por fim, tenho ouvido algumas palestras online relativas ao crescimento pessoal/espiritual, como sempre gosto de fazer, e uma me chamou bastante atenção ao destacar a importância de demostrarmos gratidão quanto ao nosso corpo. Afinal, "feio" ou "bonito", gordo ou magro, grande ou pequeno, é o que permite nos interagir com o mundo, é o que nos permite sentir prazer, ver um por do sol, sentir a água do mar, caminhar, nos movimentar... Enfim, nosso corpo deveria ser mais fonte de gratidão do que alvo de críticas, independente do seu formato ou do formato que achamos que ele deve ter... Parece meio óbvio, mas creio que no dia a dia não é tão comum às pessoas reconhecerem isso e, menos ainda, praticar esse tipo de gratidão. Será que estamos dispostos a amar nosso corpo agora, do jeitinho que ele está neste momento? Ou apenas quando tivermos no peso ideal, sem acne, com menos flacidez ou seja lá o que for?


sexta-feira, junho 20, 2014

Retorno e metas para o segundo semestre de 2014

Faz muito tempo que não apareço aqui pelo blog. Nesse ínterim, foram uma filha, mais um filho, amamentação (ainda continuo), trabalho e etc. Cuidar, verdadeiramente, de três filhos e conciliar com as demais atividades é um desafio, como sabe toda mulher. Nesse ínterim não só o crudismo foi pelo espaço, como minha alimentação virou uma esculhambação total, em especial nas gestações, fiquei totalmente sedentária e desenvolvi uma doença de pele chamada rosácea. 

Por outro lado, foi um período rico em aprendizado pessoal e espiritual. Aos poucos pretendo retomar o blog, postando inicialmente sobre o aprendizado deste tempo, a gestação, a maternidade e a rosácea, além de descrever um pouco da minha tentativa de retomar um estilo de vida mais saudável. Mais adiante gostaria de postar dicas sobre crescimento pessoal que vem sendo úteis para mim no meu processo.

Atualmente estou com sobrepeso e sem energia, e estou iniciando um programa de exercícios, buscando emagrecer e aumentar a disposição. Irei postar meu progresso mensalmente. Semanalmente tentarei postar o que conseguir fazer em termos de exercícios.


Situação atual
Na foto, estou vestindo um moletom tamanho G.
Peso: 89 kg
Cintura: 94 cm
Coxa: 69 cm
Braço: 33 cm

Metas até o final de 2014
Peso: 75 kg (o meu peso ideal é 67 kg)

Exercitar-me ao menos duas vezes por semana na academia. Complementar, quando possível, com caminhadas e corridas pelo bairro. Melhorar a alimentação de forma geral e voltar a tomar suco verde regularmente.