Fruta misteriosa

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Há 20 anos atrás, o avô de uma amiga minha plantou, no seu sítio, uma muda que ganhou de presente. Passado todo esse tempo, a muda virou árvore e deu frutos pela primeira vez. O problema é que nunguém faz idéia de que árvore ou fruta seja essa!! Eu tive a sorte de experimentar (O sonho de qualquer crudista!! Provar uma fruta desconhecida!! rsrsrs); por fora parece com jambo do pará, mas lembra o gosto de um kiwi, sendo que "cola" um pouco a boca, como uma mangaba. E é uma delícia! Vejam as fotos aqui e se alguém souber do nome me diga!!!! :)






Em vários cortes...



Hummmm....




O que sobrou...



As sementes, antes de eu plantar no meu jardim!




Reformulando...

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Como vocês podem ver, o site está um pouco diferente. Estou tentando reformular, mas fiz algumas besteiras :) e perdi os gadgets que tinha. Enfim, vai passar um tempo desarrumado, mas espero ajeitar em breve...

Poesia

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Depois do momento cultural do blog (rsrsrs) com a música de Palavra Cantada, aproveito para postar um lindo poema da amiga Dani, que se inspirou na florada do jambeiro (clique para aumentar)...





Pomar

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Ainda no clima do show da banda infantil Palavra Cantada, ao qual fomos uns dias semana retrasada, me dei conta de que tem uma música deles que daria um belo hino crudista/frugívoro. Tudo bem que sou suspeita para falar, pois sou tão fã quanto meu filho de cinco anos (rsrsrsrs), mas vejam que belo maracatu...




Pomar
(Palavra Cantada)
Paulo Tatit/ Edith Derdyk

Banana, bananeira
Goiaba, goiabeira
Laranja, laranjeira
Maçã, macieira
Mamão, mamoeiro
Abacate, abacateiro
Limão, limoeiro
Tomate, tomateiro
Caju, cajueiro
Umbu, umbuzeiro
Manga, mangueira
Pêra, pereira
Amora, amoreira
Pitanga, pitangueira
Figo, figueira
Mexerica, mexeriqueira
Açaí, açaizeiro
Sapoti, sapotizeiro
Mangaba, mangabeira
Uva, parreira
Coco, coqueiro
Ingá, ingazeiro
Jambo, jambuzeiro
Jabuticaba, jabuticabeira


Agradecimento aos leitores

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O post anterior, onde fiz um balanço dos meus três anos de crudismo, acabou ficando tão longo que tive que deixar de fora uma parte muito importante dessa jornada: o blog em si!! Escrever sempre foi terapêutico para mim, então escrever e poder interagir com pessoas que estão em jornadas bem parecidas é um grande presente.

Coincidentemente, o mês no qual o blog e essa minha jornada completam três anos foi também o mês quando o blog completou 50 assinantes cadastrados para receber meus posts, além de uma dezena de "seguidores" (esta nova modalidade de interação disponível nos blogs do google). Quando comecei o blog em 2006 jamais pensei que teria tantos leitores, visto que a comunidade crudista virtual ainda é bastante pequena aqui no Brasil.

Assim, aproveito esse momento para agradecer a todos os leitores que acompanham o blog e por todo o apoio e carinho ao longo destes três anos. Também aproveito para pedir que interajam sempre que puderem: comentem, critiquem, façam sugestões... Só assim poderei melhorar o blog e aprender cada vez mais com vocês!

Balanço dos três anos

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O mês de outubro marca minha "iniciação" no crudismo e também o aniversário do blog, que este ano completa três anos. Ano passado fiz um balanço nesta época e gostaria de repetir, até para colocar as idéias em ordem e refletir um pouco antes de continuar na série "Quebrando o círculo".

Meu primeiro ano de crudismo foi marcado pelo aprendizado, visto que nunca tinha sido vegetariana e comecei tudo de uma vez. Além disso, no começo achava que a nova dieta tinha que ser repleta de pratos desidratados e germinados (não desmerecendo as qualidades destes!), muitas vezes complicados e cheios de ingredientes caros e difíceis de achar. Foi neste ano que me dei conta da minha dependência emocional na comida e os fatos do meu passado que levaram a tal vício, num impulso de auto-conhecimento muito mais intenso que os anos de terapia anteriores.

No segundo ano, além do processo de auto-conhecimento que continuou, descobri o lado simples do crudismo. Primeiro com os juice feasts, ou "jejuns de suco"; fiz dois: se bem me lembro o primeiro durou 17 dias e o segundo, 21. Foram experiências incríveis que recomendo a todos (com as devidas precauções, claro); de certa forma foi mais fácil do que se manter no crudismo ou o no frugivorismo. Nesta mesma época comecei a experimentar com o 80-10-10 (também conhecido como 811rv), um tipo de crudismo predominantemente frugívoro promovido pelo Dr. Douglas Graham. O que me atraiu foi a simplicidade: basicamente frutas, folhas, vitaminas verdes, algumas poucas nozes e nenhum sal ou tempero. A idéia central é que 80% das calorias venham de carboidratos (ou seja, das frutas), 10% de proteínas e 10% de gorduras.

À primeira vista fiquei deslumbrada com o 80-10-10. Zero ou quase-zero de cozinha (ou cruzinha), condimentos, embalagens, ingredientes complicados e caros; ou seja, facilidade total. Este terceiro ano me ajudou, por exemplo, a descobrir minha dependência de sal. Apesar de já comer muito pouco deste tempero (mesmo antes do crudismo), vi que muitas dos meus desejos por comida (como o queijo) estão bem mais ligados ao sal que ao alimento em si.

Por outro lado, comecei a questionar algumas coisas relativas ao 80-10-10 e ao crudismo em geral, o que ficou bem marcante no curto período em que estive grávida. Também comecei a me irritar mais e mais com a crescente "comercialização" do crudismo e produtos/serviços associados e com as posturas dos "gurus" deste movimento, cada qual tentando provar que o seu jeito está certo. Isso principalmente no exterior, pois no Brasil o movimento ainda é incipiente em comparação à América do Norte e Europa. Não que eu ache errado esse tipo de comércio; muito pelo contrário, geralmente são pessoas e/ou empresas que praticam do comércio justo e ecologicamente corretos, por exemplo. Porém, é preciso ter cuidado para que não vire um comércio como qualquer outro, que visa o lucro acima de tudo e perca seus preceitos éticos.

Além disso, uma questão que me preocupa muito é a maneira como as informações são passadas para as pessoas, onde estas novas empresas e seus "gurus" comumente alegam comprovações "científicas" que de científicas nao tem nada. Esse é um tópico que quero focar em um post a parte, mas não sem antes ressaltar (como já fiz outras vezes) que a questão não é ter que provar ou deixar de provar tudo cientificamente. Acredito que, antes de mais nada, devemos aprender a ouvir nosso corpo; porém, isso nem sempre é possível, principalmente para quem está começando ou completamente desconectado de si mesmo. Para estes casos é importante que hajam informações confiáveis que sirvam para guiar as pessoas. E isso também serve para nós, blogueiros, ou para quem participa de fóruns, comunidades, sites de relacionamento e outras ferramentas virtuais ligadas ao crudismo. Poucas pessoas descrevem o que realmente se passa no dia-a-dia, com todos os detalhes sórdidos. Seja por vergonha ou medo da rejeição por parte da comunidade crudista, frequentemente deixamos de relatar as dificuldades e acabamos deixando uma impressão errada de "perfeição". E digo "deixamos" me incluindo também neste rol, pois por mais que me esforce em dizer que ainda não alcancei a tal "perfeição" crudista e que meu objetivo principal é focar no aprendizado por qual venho passando, me pergunto se não preciso ser mais explicita a fim de ajudar as outras pessoas que passam pelas mesmas dificuldades.

Tudo isso também dá um outro post, mas antes queria destacar um fato que marcou muito esse terceiro ano. Foi uma experiência que compartilhei com Paulo Gaefke, colega crudista do Comer Cru, e também adepto do 80-10-10. Recentemente propomos a nós mesmos um desafio de passar 60 dias de 80-10-10, com uma troca diária de e-mails de apoio. Não alcançamos os tais 60 dias (neste sentido foram duas tentativas curtas e fracassadas), mas posso dizer que aprendemos muito, principalmente sobre a importância do apoio externo e de compartilhar as dificuldades. Mais uma vez, fico devendo um post exclusivo a respeito.

Pelo que foi dito até agora, acho que dá pra perceber que o terceiro ano foi marcado por dúvidas e reflexões, muitas das quais pretendo aprofundar aqui depois. Recentemente cheguei a pensar em fechar o blog, pelo menos por um tempo: tamanha estava a confusão na minha cabeça que não achava justo com os meus leitores continuar escrevendo. Confesso que passou pela minha cabeça desistir do crudismo, mas tal qual uma criança que deixa pra trás a cidade da sua infância, voltar é impossível, pois a cidade não é mais a mesma de antes: as coisas mudaram e paradigmas foram quebrados. Se não o crudismo, o que seria agora?

No post anterior falei sobre nosso labirinto pessoal e, coincidentemente, pouco depois participei de um curso que me possibilitou percorrer este labirinto de forma quase que literal. E ao chegar no centro dele percebi que não preciso abandonar tudo, mas sim repensar e sair com algo novo que não siga esse ou aquele padrão, mas que seja melhor para mim. Não sei ainda como vai ser; possivelmente uma mistura do crudismo que vivenciei no primeiro ano e o frugivorismo que vivi mais recentemente: com muitas frutas, folhas, vitaminas verdes, sucos, rejuvelac, alguns germinados e quem sabe até um pouco de comida cozida de vez em quando, só que sem culpa.

Antes de concluir não podia deixar de falar da TCAP (transtorno compulsivo alimentar periódico, síndrome que me acompanha há alguns anos). Não, o terceiro ano nao trouxe a cura e isso para mim é mais grave do que ser ou não ser 100% crudista. Na verdade, acho que só poderei seguir na dieta tranqüilamente quando me livrar deste problema, mas uma coisa está ligada a outra e assim vou caminhando. Faltou falar também que este ano ficou ainda mais claro como é forte a parte emocional nessa história de alimentação, pois por mais que entrem vícios fisiológicos, acho que estes vícios só são possíveis (pelo menos em grande parte) porque temos questões emocionais mal resolvidas que deixam a porta aberta para que a porção fisiológica se instale.

É esta minha avaliação destes três anos de crudismo, "imperfeitos", porém cheios de aprendizado. Espero que, de alguma forma, este relato possa ajudar no caminho de cada um de vocês leitores. Espero também poder ouvir um pouco mais da história de vocês e dos balanços das suas próprias jornadas no crudismo para que possamos crescer juntos e promover uma saúde melhor para nós e para o planeta.


Quebrando o círculo parte II: percorrendo o labirinto

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Foto por Bob Chiang, retirado do site: http://www.remarc.com/craig/


Eu tinha prometido que nos próximos posts da série "Quebrando o círculo" iria falar da importância de ter claro nossos objetivos e propósitos na mudança de alimentação e também dar algumas dicas sobre esse processo de sair do círculo vicioso que por vezes entramos quando queremos mudar de dieta (e de vida!).

Entretanto, hoje li um material tão interessante que gostaria de compartilhar com vocês antes de passar para estes outros assuntos. Recentemente, recebi uns livros que tinha pedido pela Internet quando ainda estava grávida, entre eles um chamado When the labyrinth becomes a Laborynth: metaphor, map, meditations & rituals for labor and postpartum, por Pam England ("Quando o labirinto se torna um 'partorinto': metáfora, mapa, meditações rituais para o parto e pós-parto", sem tradução em português). Este livro, que apesar de ser direcionado a grávidas e "grávidos" e usar o labirinto como metáfora do trabalho de parto, traz algumas coisas bem interessantes que podem ser aplicadas a vida em geral, inclusive nesta nossa jornada de mudança alimentar.

Primeiramente, explica um pouco da simbologia do labirinto*, que é usado em praticamente todas as culturas, cada qual a sua maneira, como forma de obter auto-conhecimento e crescimento espiritual. Diferencia, também, os labirintos dos dédalos. Os dédalos, que são frequentemente chamados (erroneamente) de labirintos, possuem duas ou mais saídas (além de muitos caminhos sem saída) e são propositalmente feitos para confundir que usa. Nos labirintos, por outro lado, a entrada e a saída são a mesma: ou seja, um labirinto leva você diretamente ao seu centro e depois lhe traz de volta para "fora".

No livro a autora faz um paralelo entre um parto natural e um labirinto, enquanto um parto altamente medicalizado seria mais como um dédalo. No primeiro caso a mulher mergulha dentro de si mesma, conduz seu parto intuitivamente sem se preocupar que tenha que ser algo "linear" ou que precise seguir algum padrão, e sai deste labirinto pelo mesmo caminho, porém agora uma nova mulher, uma mãe. Já no segundo caso, a mulher fica perdida naquele dédalo confuso, cheio de entradas e saídas, onde é preciso "chegar em algum lugar" predefinido por outrém ao invés de confiar na própria intuição.

Esta leitura, por mais simples que pareça, me tocou muito pelo momento que estou vivendo. E o que isso tem a ver com alimentação? Acho que pode-se fazer um paralelo semelhante.. Pois por vezes, ao invés de ouvirmos a nós mesmos, tentamos mudar nossa dieta entrando num verdadeiro dédalo, cheio de caminhos difíceis e vozes vindo de todos os lados, cada um dizendo que isso ou aquilo é melhor para nós, que este ou aquele "guru" é que está certo, que tais evidências científicas provam ou disprovam isso ou aquilo. Esquecemos que é essencial que mergulhemos dentro de nós mesmos para buscar o conhecimento que precisamos e saber qual dieta é melhor para nós, e sairmos transformados da jornada:

"O labirinto representa a jornada do herói. Existem três fases da jornada do herói: Preparação, Provação e Retorno. (...) A preparação acontece antes da travessia do Limiar de entrada... O caminho da entrada até o Centro é a fase de Provação da jornada do herói. Como heroína-mãe, durante o trabalho de parto você penetra o Desconhecido, enfrenta seu Tigre (ou Dragão) e passa por uma transformação psíquica e social que inclui a inevitável morte do ego, das expectativas e dos velhos acordos. Assim, faz sentido dizer que antes da chegada ao Centro ou ao Ventre do labirinto - que representa o nascimento do seu filho(a) e seu nascimento como mãe - você encontrará o Portal da Grande Dúvida: dúvida de que o parto vai acabar, dúvida de sua capacidade de enfrentar a situação, dúvida sobre sua própria intuição. Passar por este Portal poderá lhe levar até os portais da Confiança ou da Fé. Mesmo que você esteja consumido pela dúvida, chegar ao Centro do labirinto é inevitável se você continuar apenas seguindo adiante, um passo, de cada vez. (...) Tem se dito que não é possível experienciar, verdadeiramente, Grande Confiança sem passar pelo Portal da Grande Dúvida."**

Métaforas a parte, o uso do labirinto é mais uma ferramente interessante para o auto-conhecimento e tranformação pessoal. Pode ser desenhado, pintado, moldado de argila ou mesmo caminhado (como na foto acima). Depois de pronto, o livro recomenda a meditação usando o labirinto pessoal, que pode ser utilizado para responder perguntas ou dúvidas profundas:

"Antes de 'entrar' no seu labirinto, sente-se em silêncio enquanto foca ou destaca o problema. Passe alguns minutos revendo todas as soluçoes nas quais já pensou até o momento; permita que sua mente reveja ou mesmo argumente sobre todos os prós e contras para cada soluç
ão. Não seja racional nem tente tomar uma decisão, apenas deixe sua mente re-examinar o problema. Você pode fazer isso sozinho(a) na sua mente ou no seu diário ou sentado com alguém que seja um bom ouvinte (ou seja, alguém que possa ficar em silêncio com você e testemunhar seu processo enquanto percorre o labirinto). Evite começar uma animada discussão ou 'compartilhamento' de problemas. (...) Tome consciência da sua respiração enquanto traça ou observa seu labirinto."**

E você, está pronto(a) para percorrer seu labirinto? :)

Imagem retirada de: http://www.worldpeacevillage.org/pl_labyrinth.htm


*Saiba mais sobre a simbologia dos labirintos lendo acerca dos famosos labirintos de Nazca, no Peru (em inglês): http://www.labyrinthina.com/mariareiche.htm

**Trechos traduzidos livremente de When the labyrinth becomes a Laborynth, por Pam England.