Domingo, Junho 01, 2008

Queijo de castanhas

Ontem, pela primeira vez, consegui fazer um queijo vegan-crudista que realmente achei saboroso. Peguei a receita de um vídeo no YouTube, que pode ser visto aqui, mas vou postá-la abaixo:
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Queijo crudista de castanha de caju
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Ingredientes:
1 copo de castanhas de caju cruas, deixadas de molho de um dia pro outro
1 colher de sopa de levedura alimentar
1 colher de sobremesa de sumo de limão
1/3 cebola picada em cubos bem pequenos
1 colher de sopa de folhas de manjericão frescas, picadas
1 pitada de folhas de lavanda seca
Sal e pimenta a gosto
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Modo de fazer:
Processar todos os ingredientes, com exceção da cebola e do manjericão, que devem ser misturados no final, fora do processador.
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Na minha versão, mudei um pouco as coisas. Antes de mais nada, usei as castanhas pra fazer leite primeiro e depois fiz uma vitamina de morango! :) Além de aproveitar melhor as castanhas, ficou mais fácil já que eu não tenho processador. Para fazer isso, troquei a água do molho das castanhas e bati no liquidificador (uma parte de castanhas para duas de água). Coei com pano e reservei o leite. Peguei a massa das castanhas e misturei com os outros ingredientes, a mão mesmo. Porém, ficou meio ressecado, então adicionei um pouco de azeite extra-virgem. Também não coloquei a lavanda, j­á que não encontrei.
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Quanto à vitamina: simplesmente leite de castanhas, morangos congelados e mel. Hummm!!
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Uma observação sobre a levedura nutrcional. É uma levedura inativa, mas há controvérsias no meio crudista por não ser tecnicamente crua. Porém, é o que dá o "gostinho" de queijo, além de ser rica em vitaminas do complexo B. Não sei muitos detalhes, mas não sou tão purista a ponto de não experimentar. A princípio eu gostei do queijo, porém não consegui comer muito, enjooei logo. Não sei se foi por causa da levedura ou simplesmente porque castanhas e nozes sempre pesam muito. Meu filho, ao contrário, não queria parar de comer!

Terça-feira, Maio 20, 2008

Desmistificando

Brotos na Expo Manger Santé 2008

Quando comecei a ler sobre o crudismo em 2006, descobri que a grande maioria dos sites a respeito eram em inglês e que, portanto, traziam receitas com ingredientes caros e/ou difíceis de encontrar no Brasil: amêndoas, mel de agave, linhaça dourada, tâmaras, alfarroba, macadamia, pêssego, tahini cru... Por isso, cheguei aqui no Canadá ansiosa para poder ter acesso a estes produtos e poder fazer as tais "guloseimas" crudistas do que tanto falavam os sites, além de curiosa para visitar meu primeiro restaurante crudívoro "de verdade".


Porém, como dizem, na prática a teoria foi outra. Cheguei aqui em pleno inverno, vinte graus abaixo de zero, uma variedade baixíssima (e cara!) de frutas. Mesmo as nozes diversas e outras coisas da região tinham altos preços. As maçãs, por exemplo, vinham enceradas e tinham um gosto horrível. Até mesmo a água (clorada) me parecia estranha.


Aos poucos fui aprendendo onde comprar frutas e verduras mais baratos (e maçã sem cera!), os locais de venda de orgânicos e outros produtos ditos "alternativos", etc. Descobri uma loja maravilhosa, La Carotte Joyeuse (A Cenoura Feliz), que é um verdadeiro paraíso para vegans, crudistas e afins (tirando o preço!!!!). Descobri, também, algumas iniciativas interessantes, como o mercado local de orgânicos (Marché de la Solidarité). Em março participei de uma feira de alimentação saudável, a oitava edição da Expo Manger Santé, onde conheci várias pessoas e experiências legais. Em suma, fui aprendendo a me virar por aqui em relação à comida.


Por outro lado, confirmei mais uma vez meu jeito mais simples de ser crudista. Tem sido bom experimentar os vários tipos de nozes e outras coisas diferentes que tem por aqui, mas sinceramente não troco por uma água de coco fresquinha nem por um bom caldo de cana com limão. Estou até considerando não comprar o desidratador com que eu tanto sonhava. Também fui a um restaurante crudista e foi uma decepção... Não que tenha sido ruim, mas nada demais (nada que Gorette não faça igual ou melhor). Só valeu a pena por causa do "queijo" de castanha de caju - o primeiro queijo crudista que eu comi que realmente lembrava queijo (que é uma das coisas que eu mais tenho dificuldade de evitar).


Agora na primavera tem sido mais fácil encontrar mais frutas e verduras diferentes (estou adorando poder comer muito morango, por exemplo), mas que saudades da variedade de frutas frescas que a gente encontra aí do nordeste: pinha, manga, carambola, abacate, banana prata, abacaxi, pitomba, acerola, pitanga, coco verde, jaca, mamão, banana comprida, laranja cravo, mangaba, cacao, jaboticaba, caju... Quando lembro que acordava de manhã e numa simples volta na minha rua trazia de volta um monte de frutas pra comer e fazer suco! Nos trópicos é bem mais fácil ser "naturalmente crudista": é só olhar pros lados e tem comida por todo lado, principalmente pra quem considera suco de qualquer folha comestível comida (como eu!) :)
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Ainda bem que meu marido maravilhoso tem plantado várias coisas pra mim dentro de casa, como broto de trigo comum e trigo sarraceno, cebolinho, etc. Tudo ótimo pra fazer suco!


Além disso, como eu sou brasileira e não desisto nunca (rsrs), agora que estamos na primavera e vemos folhas de verdade, estou começando a fazer umas experiências com as coisas que tem por aqui. Por exemplo, agora está na fase dos dentes-de-leão, uma flor que está por todos os lados, formando lindos tapetes amarelos. Infelizmente eu soube que em cerca de duas semanas elas irão desaparecer para dar lugar a outras flores, por isso hoje mesmo vou colher um monte para fazer suco!! Já tinha procurado saber o que os esquimós comiam de vegetal pra ver se dava pra catar alguma coisa no invernão daqui, mas parece que eles comem basicamente carne de foca crua e algum tipo de líquen que tem por aquelas bandas mais ao norte.
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Assim que puder posto sobre as experiências gastronômicas com o dente-de-leão e outras coisas "selvagens" daqui de Québec.

Quarta-feira, Abril 23, 2008

Vinagrete de trigo germinado

Uma receitinha que eu fiz ontem. O uso do vinagre é um pouco controvertido no meio crudista (geralmente, quando se usa, é do de maçã), mas não sou tão radical em relação a este ingrediente e meu filho adora o sabor do vinagre balsâmico. Então, lá vai...

Ingredientes:

2 tomates grandes, em cubos
1 pimentão grande, em cubos
1 mini-pepino, em cubos bem pequenos
1 cebola pequena, em cubos também pequenos
1 xícara de trigo germinado

Para o molho
3 colheres de sopa de azeite extravirgem
2 colheres de sopa de vinagre balsâmico
2 colheres de sopa de óleo de abacate prensado a frio (opcional)
Sal de alho (ou simplesmente sal) à gosto

Modo de fazer:

Misture todos os ingredientes numa vasilha e depois é só saborear!

Terça-feira, Março 25, 2008

Evolução

Mandala de frutas no nosso café da manhã:
morangos, bananas com aveia e mel e amoras-silvestres.


Esses dias resolvi reler algumas das postagens iniciais aqui do blog, logo quando eu e Hugo começamos a conhecer e experimentar o crudismo. Realmente foi uma ótima idéia, pois me fez perceber que as coisas estão caminhando muito melhor do que eu pensava. Andava meio sem saber o que fazer depois depois de dois jejuns de suco ("juice feasts") feitos pela metade e coroados com episódios de TCAP (transtorno da compulsão alimentar periódica). Com os juice feasts comecei um blog em inglês pra tratar especificamente disso (já que ainda não têm muitos juice feasters brasileiros e eu queria um espaço onde pudesse acontecer mais troca com outras pessoas fazendo o mesmo tipo de processo de desintoxicação) e junto com a temporada aqui no Canadá deixei esse blog aqui meio de lado. Passei um e-mail pra Hugo pra ver se ele voltava a escrever um pouco, porém ele respondeu deixando o blog "oficialmente" (já que não escrevia mesmo há muito tempo) e disse que já tinha dado sua contribuição e que agora eu tinha que trilhar o caminho sozinha.


Logicamente fiquei um pouco triste, afinal era bom ter alguém mais próximo (um amigo não-virtual) pra compartilhar o blog e o interesse no crudismo. Porém também achei engraçado e fiquei refletindo a respeito. Realmente, se não fosse por Hugo, que me indicou o livro Lugar de médico é na cozinha, eu talvez não tivesse conhecido e me interessado pelo crudismo. Mas o engraçado foi que eu, que comecei meio na brincadeira e sequer era vegetariana, acabei me envolvendo mais com o tema enquanto ele (vegetariano dedicado há anos) foi deixando pra lá e indo por outra direção. Pois é: apesar do compartilhar ser importante, só nós mesmos podemos traçar e trilhar nosso caminho, como bem disse (e fez!) Hugo.


Não estou querendo, com isso, passar uma postura individualista. Muito pelo contrário! Acredito que quando estamos bem e nos trabalhamos para crescer e evoluir como pessoas, o mundo em nossa volta também muda para melhor. Pode até parecer exagero, mas quando estou jejuando ou 90-100% crudista parece que entro num outro patamar energético: tudo começa a dar certo e a entrar em sintonia. A vida em família se harmoniza, as coisas melhoram no trabalho... Tudo parece ficar mais calmo e sereno, às vezes até mesmo com pessoas e fatores não tão próximos. Tudo flui.


Por outro lado, vejo que não posso ficar buscando em outras coisas ou pessoas soluções prontas para meus problemas, especialmente em relação ao TCAP. Em alguns momentos me entreguei mesmo, esperando algum botão mágico ou alguém que aparecesse e disesse, "É isso!" e tudo estaria resolvido. É como a velha história da pobre menina "salva" pelo príncipe encantado: uma postura bastante cômoda e pouco proativa. Neste caso o tal "príncipe" pode até chegar, mas só se a menina também fizer a sua parte...


E, surpreendentemente, esse fazer "sua parte" pode começar com o próprio buscar ajuda! Paradoxal? De jeito nenhum! Para buscar ajuda (ajuda de verdade, daquele tipo que muda a gente), é preciso coragem e responsabilidade. Vou exemplificar: no caso da minha TCAP, por vários meses depois que soube da existência da colonterapia, isso tornou-se pra mim o "botão mágico" do qual falei antes. Fiquei indo pra lá e pra cá, entre jejuns e episódios compulsivos, tentativas de me curar sérias e outras de faz de conta, meio que guardando a colonterapia como uma carta na manga pro momento que eu não tivesse mais nenhuma opção. Ou seja, seria minha última chance. Claro que aconteceram também outros problemas que (pelo menos em parte) me impediram de fazer esse tratamento logo de cara, mas no geral enrolei muito pois estava com medo. Medo de usar esta cartada final e não dar certo, pois eu sabia que o botão mágico não era tão mágico assim: eu também ia ter que me esforçar.


O tempo passou e não fiz. Uma hora me dizia que o caminho era meu e tinha que trilhá-lo completamente sozinha, sem ajuda ou muletas. Outra hora fazia uma lista de coisas que poderiam me ajudar se eu tivesse como fazer (se tivesse dinheiro, tempo, etc... Se, se, se...). Era tudo muito distante e abstrato.


Até que num dia especialmente difícil, me sentindo mal depois de mais um episódio compulsivo, eu vi que não aguentava mais e tinha que fazer alguma coisa de concreto e sozinha eu não ia conseguir. Precisava ser algo em conjunto. Fiz, mais uma vez, uma lista bem grande de coisas: colonterapia, hipnose, Gestalt, PNL, curso de culinária crudista, yoga, etc. Pensei, repensei, pesquisei na Internet e li muito.


Acabei optando pela PNL. A PNL, ou programação neurolingüística, é um tipo de terapia breve onde é possível (entre outras coisas) mudar práticas autodestrutivas (como o TCAP). Ainda não tenho muito conhecimento técnico a respeito, mas a pessoa com quem estou fazendo a terapia usa uma abordagem onde retiramos bloqueios do passado, nos "reprogramando" para poder olhar pra frente e ter, na prática, uma vida mais feliz.


Semana passada aconteceu a primeira sessão e foi extraordinário. Sei que não será um passe de mágica, mas com certeza irá me ajudar neste e em outros aspectos da minha vida. Em breve postarei mais a respeito.


Pra fechar, deixo um exercício que a terapeuta me ensinou. Logicamente foi no contexto da terapia, mas creio que pode ser útil em várias situações (infelizmente não sei de onde ela tirou pra dar crédito aqui; em todo caso é uma versão adaptada):



UMA CARTA DO FUTURO


Escolha uma data no futuro próximo (o ideal é que seja em torno de 6 meses). Imagine um dia absolutamente PERFEITO. Você está completamente feliz e satisfeito(a)! Escreva a carta (de você para você) descrevendo, em detalhes, tudo o que se passa em sua volta (cores, sons, cheiros, etc.), suas emoçoes, no que você está pensando, etc. Comece no momento que você acorda neste dia de sonho e vá descrevendo o dia inteiro (ou até mesmo mais de um dia). Escreva de forma que a pessoa que estiver lendo possa visualizar o momento como se estivesse lá. Inclua também palavras de gratidão por ter atingido o que você queria na sua vida. Se houverem outras pessoas com você neste momento futuro, descreva também como estas pessoas lhe vêem e se relacionam com você.

A partir deste ponto, como você se vê no futuro mais adiante? Descreva seus projetos e planos. Em seguida, volte-se para o "passado" (ou seja, o momento presente que você encontra-se hoje, na verdade) e veja quais foram os passos práticos que você precisou tomar para chegar neste momento de felicidade, quais problemas e obstáculos você superou, etc. Descreva-os também.

Por fim, reflita e escreva sobre o seguinte: O que você sabe naquele "momento futuro" que nao sabia antes? Qual a diferença em você como pessoa e na forma como você vê o mundo e a si próprio? Como isso lhe ajudou na sua caminhada?

Sucesso!

Terça-feira, Março 11, 2008

Molho de salada

Apesar de estar no meu segundo juice feast (11° dia) e não estar comendo nada, fiz esse molho de salada lá em casa e como todo mundo gostou resolvi postar aqui:


Molho de salada com humus
1 colher de sopa de humus (preferivelmente cru)
1 talo pequeno de aipo (salsao) com as folhas
1 tomate
1/2 pimentao verde
1/2 cebola
1 folha de acelga
Qualquer tempero ponto de ervas (a gosto)
Mostarda escura (a gosto)
Água
Azeite extra-virgem até dar a consistência desejada

Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

Comida da mamãe

Amanhã estarei viajando pro Canadá e não sei quando poderei postar de novo, mas antes gostaria de colocar aqui uma receita crudista da minha mãe. Sim, da minha mãe mesmo! Ela não é crudista (muito pelo contrário), não entende direito meu tipo de alimentação, mas no início do ano quando fui visitá-la, ao invés dela ficar tentando empurrar comida, me fez uma surpresa e chegou com uma refeição crudista completa e deliciosa! E eu, depois de mais de um ano, nunca consegui inventar nada igual! Pois é, mãe é mãe... (ainda mais mãe que é boa na cozinha). Aqui vai:

Sopa crudista da mamãe

1/2 pimentão
1/2 alho
2 tomates
1/2 cenoura
1 pedaço pequeno de cebola
1/2 pepino
Coentro a gosto
Água (quantidade variável dependendo da textura que cada um prefere)
Sal, limão e azeite extravirgem a gosto, adicionado somente na hora de servir

Bater tudo no liquidificador e pronto! Pode-se adicionar/substituir, também, outros ingredientes como alho poró, salsa, abobrinha, repolho, acelga, etc.


Sobremesa crudista da mamãe

1/2 banana comprida
2 bananas-prata
1 maçã
1 laranja descascada
suco de 2 maracujás

Bater tudo e enfeitar com sementes de maracujá. Resfriar na geladeira e servir. Hummm!!!! :)

Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

A farra dos sucos

Hoje estou no 12º dia do meu juice feast. O juice feast, ou "banquete de sucos", é um trocadilho com juice fast, jejum de sucos, prática antiga e comum entre crudistas e afins. Na versão original, passa-se alguns dias (geralmente entre 1 e 30) tomando uma quantidade mínima de suco centrifugado ou coado (principalmente sucos verdes) e água para provocar um forte e rápido processo de desintoxicação que deixa a pessoa exausta e de cama. No feast, por outro lado, ingere-se cerca de 4 litros (mais ou menos 1500 calorias) por dia de suco, além de água e suplementos vitamínicos naturais (como pólen de abelha por exemplo) ou mesmo vitamina B12 de farmácia. Nesta versão pode-se continuar a vida normal e até mesmo realizar exercícios físicos (eu mesma estou cheia de energia!!). A desintoxicação é mais lenta e suave, levando até 92 dias.

O site Juice Feasting contém, gratuitamente, todas as informações necessárias para a realização de um juice feast, bem como a opção de receber um material diário de acompanhamento online (este é pago). Além disso, no próximo dia 10 de março o site estará promovendo um "banquete global de sucos", onde dezenas de pessoas de todo mundo estarão iniciando, juntas, um juice feast de 92 dias. Imaginem só quanta energia boa!!!!

Para uma idéia geral do processo de juice feasting, é interessante dar uma olhada nesta tabela, que faz um resumo de como deve ser os 92 dias em termos de que tipo de sucos e suplementos tomar, tempo sugerido de exercícios diários, necessidade da adição de métodos de desintoxicação suplementares como enemas, etc.

Quem não conhece pensa que é uma "dieta" pra perder peso. Eu mesma, há vários anos, fiz um jejum de sucos de três dias onde (apesar de dizer que estava desintoxicando) meu foco principal era esse. Passei por uma forte desintoxicação, minha cara toda estourou, a garganta ficou inflamada, tive fortes diarréias, etc. Perdi três quilos e voltei a caber na minha calça jeans favorita, mas fiquei de cama e não aguentei chegar a minha meta (três dias); acabei parando e retornando aos meus hábitos alimentares iniciais.

Esse era o problema: eu estava jejuando pelo motivo errado e por isso não deu certo. O momento não era aquele. Agora sinto-me pronta, razão pela qual comecei com uma meta de 10 dias e já estou no 12, e irei até onde achar necessário. Está me fazendo um bem enorme: estou limpando corpo e alma. Como quero engravidar este ano pela segunda vez, quero estar fisicamente e mentalmente pronta. É difícil explicar e gostaria que outras pessoas ao meu redor pudessem sentir a euforia que me bate várias vezes ao dia e o prazer de estar enfrentando a vida e meus medos e traumas desta forma, crua, sem anestesia e sem camadas de comida e muco para me "proteger". Muitas vezes é assustador e dá vontade de desistir, mas é maravilhoso.

O melhor de tudo é que não tem sido difícil. Na verdade estou achando mais fácil que as vezes quando tentava ficar 100% crudívora. Talvez seja o momento, talvez seja mais simples porque não tenho muitas opções - é suco ou suco mesmo! Além disso, o crudismo já me deixou no meu tal "peso ideal" então isso nem está mais no páreo (e nem é mais tão importante pra mim como no passado). Só sei que o processo não tem atrapalhado em nada a minha vida, muito pelo contrário, já fiz duas pequenas viagens, já pulei Carnaval e semana que vem vamos nos mudar pro Canadá por seis meses e vou tentar continuar no meio desse estresse mesmo. Acho legal chegar nos lugares assim "na doida" e ver o que a natureza tem pra me oferecer. Na primeira viagem cheguei numa casa onde frutas e verduras passavam longe, mas tinha um pé de jambo rosa maravilhoso, tomei um monte de suco de jambo com folha e tudo, uma delícia! Da outra vez fiz suco de folha de umbu, suco de caju espremido na mão puro ou misturado com outras frutas, fui experimentando... Os trópicos são mesmo o paraíso! Sei que no Canadá será diferente, mas acredito que vou saber o que fazer...

Tudo isso me fez ver, mais ainda, como precisamos de pouco, como a natureza é generosa, como é bom se nutrir ao invés de buscar comida apenas pelas tanta outras atribuições que a damos, deixando quase sempre a nutrição em último lugar. É mesmo como o texto do Frei Betto que postei da última vez.

Continuarei postando mais vezes sobre o assunto, além de no meu blog do Give it to me raw (em inglês). Espero vocês por aqui para me acompanhar nesta nova jornada!