
Brotos na Expo Manger Santé 2008
Quando comecei a ler sobre o crudismo em 2006, descobri que a grande maioria dos sites a respeito eram em inglês e que, portanto, traziam receitas com ingredientes caros e/ou difíceis de encontrar no Brasil: amêndoas, mel de agave, linhaça dourada, tâmaras, alfarroba, macadamia, pêssego, tahini cru... Por isso, cheguei aqui no Canadá ansiosa para poder ter acesso a estes produtos e poder fazer as tais "guloseimas" crudistas do que tanto falavam os sites, além de curiosa para visitar meu primeiro restaurante crudívoro "de verdade".
Porém, como dizem, na prática a teoria foi outra. Cheguei aqui em pleno inverno, vinte graus abaixo de zero, uma variedade baixíssima (e cara!) de frutas. Mesmo as nozes diversas e outras coisas da região tinham altos preços. As maçãs, por exemplo, vinham enceradas e tinham um gosto horrível. Até mesmo a água (clorada) me parecia estranha.
Aos poucos fui aprendendo onde comprar frutas e verduras mais baratos (e maçã sem cera!), os locais de venda de orgânicos e outros produtos ditos "alternativos", etc. Descobri uma loja maravilhosa,
La Carotte Joyeuse (A Cenoura Feliz), que é um verdadeiro paraíso para vegans, crudistas e afins (tirando o preço!!!!). Descobri, também, algumas iniciativas interessantes, como o mercado local de orgânicos (
Marché de la Solidarité). Em março participei de uma feira de alimentação saudável, a oitava edição da
Expo Manger Santé, onde conheci várias pessoas e experiências legais. Em suma, fui aprendendo a me virar por aqui em relação à comida.
Por outro lado, confirmei mais uma vez meu jeito mais simples de ser crudista. Tem sido bom experimentar os vários tipos de nozes e outras coisas diferentes que tem por aqui, mas sinceramente não troco por uma água de coco fresquinha nem por um bom caldo de cana com limão. Estou até considerando não comprar o desidratador com que eu tanto sonhava. Também fui a um restaurante crudista e foi uma decepção... Não que tenha sido ruim, mas nada demais (nada que Gorette não faça igual ou melhor). Só valeu a pena por causa do "queijo" de castanha de caju - o primeiro queijo crudista que eu comi que realmente lembrava queijo (que é uma das coisas que eu mais tenho dificuldade de evitar).
Agora na primavera tem sido mais fácil encontrar mais frutas e verduras diferentes (estou adorando poder comer muito morango, por exemplo), mas que saudades da variedade de frutas frescas que a gente encontra aí do nordeste: pinha, manga, carambola, abacate, banana prata, abacaxi, pitomba, acerola, pitanga, coco verde, jaca, mamão, banana comprida, laranja cravo, mangaba, cacao, jaboticaba, caju... Quando lembro que acordava de manhã e numa simples volta na minha rua trazia de volta um monte de frutas pra comer e fazer suco! Nos trópicos é bem mais fácil ser "naturalmente crudista": é só olhar pros lados e tem comida por todo lado, principalmente pra quem considera suco de qualquer folha comestível comida (como eu!) :)
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Ainda bem que meu marido maravilhoso tem plantado várias coisas pra mim dentro de casa, como broto de trigo comum e trigo sarraceno, cebolinho, etc. Tudo ótimo pra fazer suco!
Além disso, como eu sou brasileira e não desisto nunca (rsrs), agora que estamos na primavera e vemos folhas de verdade, estou começando a fazer umas experiências com as coisas que tem por aqui. Por exemplo, agora está na fase dos
dentes-de-leão, uma flor que está por todos os lados, formando lindos tapetes amarelos. Infelizmente eu soube que em cerca de duas semanas elas irão desaparecer para dar lugar a outras flores, por isso hoje mesmo vou colher um monte para fazer suco!! Já tinha procurado saber o que os esquimós comiam de vegetal pra ver se dava pra catar alguma coisa no invernão daqui, mas parece que eles comem basicamente carne de foca crua e algum tipo de líquen que tem por aquelas bandas mais ao norte.
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Assim que puder posto sobre as experiências gastronômicas com o dente-de-leão e outras coisas "selvagens" daqui de Québec.